Matéria publicada dia 03/03/2008 no Jornal do Brasil
Empresas de tecnologia de informação crescem no DF
Criada em incubadora, a Redecom
irá para o Parque Capital Digital
A Redecom Tecnologia é uma das empresas de tecnologia da informação de Brasília que despontam no mercado nacional. Com atual sede na Asa Norte e participante do Arranjo Produtivo Local de TI, a empresa pretende se mudar para o Parque Capital Digital assim que o espaço estiver pronto.
A empresa nasceu em 2003 e há três anos faz parte do programa Multincubadora do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Universidade de Brasília. Este ano, a RedeCom pretende alçar vôos mais altos. Nascida em Brasília, os planos são de expansão. De início com apenas oito funcionários, o quadro aumentou para 25. A meta é fechar 2008 com 45.
Os planos de expansão começaram com a conquista de parcerias. Entre elas, a B2Br, que permitirá à Redecom atuar em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Belo Horizonte.
– Pretendemos este ano ficar mais fortalecidos regionalmente e começar a abrir novos negócios fora de Brasília – afirmou o empresário Etiere do Carmo.
No mês que em a Redecom estará presente em São Paulo. Um escritório será aberto na capital paulista para atender a B2Br e conquistar novos clientes.
– Será o início do nosso processo de expansão – resumiu o empresário.
A empresa acaba de ganhar também um capital angel, que é um aporte em dinheiro de um investidor. Os chamados Angel Investors auxiliam no desenvolvimento da empresa, com aconselhamento e indicação de contatos que possibilitem o surgimento de novos projetos ou parcerias. Em troca, os investidores pedem uma pequena participação na sociedade da empresa e esperam crescer junto com ela. Desde então, a Redecom triplicou o faturamento.
A empresa atua em três áreas: engenharia de rede, conectividade e comunicação. Para Etiere, todas as três áreas têm mercado em Brasília.
– A cidade não tem para onde crescer, geograficamente. Não temos grandes indústrias nem grandes negócios agropecuários – afirmou. – A proposta do governo, com apoio dos empresários, é fazer de Brasília uma cidade intelectual.
Para ele, o que falta agora é mão-de-obra qualificada. O problema não é apenas de Brasília, mas atinge o segmento em todo o país.
– Sobram vagas nas empresas de TI. Faltam profissionais qualificados e um dos agravantes é a falta de domínio da língua inglesa – comentou.
Empresa surgida com apoio
da UnB salta de oito para 25
funcionários e fecha ano com 45
Incubação
O sucesso da RedeCom se deve, em grande parte, ao projeto de incubação do Centro Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico (CDT) da UnB. A empresa foi incubada dois anos depois que nasceu e recebeu diversas consultorias, como de contabilidade, administrativa, marketing e financeira.
– A incubadora ajuda o empresário a ter visões de empreendedor – reconhece Etiere.
Hoje, fazem parte do projeto da UnB 41 empresas, segundo o gerente de Desenvolvimento Empresarial do CDT, Igor Santana. A incubadora, ele diz, tem o objetivo de apoiar empreendimentos em fase inicial e também aqueles que já estão estabelecidos mas ainda não conseguiram se desenvolver.
O critério para que uma empresa seja incubada é apresentar um diferencial no mercado, uma inovação. A seleção é detalhada e exige do empresário empenho para produzir um plano de negócios e assistir a cursos sobre gestão de finanças. A banca examinadora analisa a viabilidade do negócio e o perfil do empresário.
De acordo com Santana, há dois tipos de empresários. O que vê no empreendimento uma oportunidade de negócio e aquele que abre uma empresa por necessidade, ou porque perdeu o emprego ou porque está insatisfeito com o trabalho.
– Boa parte dos empresários começaram errado e continuam no mesmo erro. Não buscam informações, não fazem cursos e colocam a culpa do insucesso no governo, nos impostos ou nos concorrentes – reclamou Santana.
Flávia Lima
Jornal do Brasil |